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Idosos são protagonistas de filmes em mostra de cinema, no município de Tefé (AM), e prometem emplacar em Paris

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Associação Cinematográfica formada por jovens há mais de 10 anos alavanca produção cinematográfica em município amazonense; Produção que retrata a vida e experiência da terceira idade por meio da linguagem audiovisual será exibida em Paris, em 2020

A sétima arte não está mais longe da realidade dos tefeenses. Jovens, adolescentes, e agora idosos tornam-se protagonistas da linguagem audiovisual na terra da castanha a cerca de uma década, tudo graças a Associação Cinematográfica Fogo Consumidor Filmes, responsável pela maioria das produções cinematográficas dessa região do país. Tefé está localizada a cerca de 500 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas, e no mês dezembro de 2019 recebeu a 5ª mostra de cinema, no Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM).

O evento foi realizado pela prefeitura da cidade com o apoio do Programa Viva Tefé. As rodagens das produções acontecem em solo tefeense, e durante a programação a exibição envolveu dois momentos. Das 15h às 17h, a equipe organizadora exibiu os filmes produzidos pela terceira idade do Projeto Arte e Comunicação, do Centro de Convivência da Família.

Os idosos usaram da criatividade, cultura e fé na produção dos curtas-metragens: O Encanto do Boto; Cobra Grande e As Mulheres de Manuel. No segundo momento, das 19h às 22h, jovens e adolescentes do Projeto Cinema e Identidade entraram em cena com produções que marcam a identidade da juventude de Tefé. Filmes como “Seu Pensamento”; “Dia dos finados”; “Meneruá” e “Psicose” trouxeram ao imaginário do público alegria e reflexão.

Esta é a 5ª mostra de cinema realizada no interior do Amazonas. A 4ª edição ocorreu em 2015, com exibição do longa-metragem “Caboré – A Lenda”, que narra a história da origem da lenda da castanha. O filme foi rodado em Tefé e na Vila de Nogueira.

Associação Cinematográfica Fogo Consumidor Filmes

É uma sociedade civil, sem fins lucrativos. Em 2010, foi produzida a primeira produção audiovisual que levou a identidade amazonense além das fronteiras. A época, o filme que estreava aos tefeenses era “Meneruá”, nome de uma praia nas proximidades da Vila de Nogueira (AM). Essa produção foi premiada nesse mesmo ano, no 1º Festival de Cinema de Tocantins, a nível nacional, e também no Festival Internacional Rojo Sangre, de Buenos Aires, na Argentina. Segundo os idealizadores da Fogo Consumidor filmes, já foram realizados 3 longas-metragens (Gritos na Selva, Psicose e Meneruá); 3 médias-metragens e 22 curtas-metragens.

Para os organizadores do projeto Cinema e Identidade, da própria Associação, a abordagem do cinema tira muitos adolescentes e jovens de condições de vulnerabilidade social, e dar oportunidades de serem protagonistas de suas próprias histórias.

Documentário será exibido pela 2ª vez em Paris

A produção tefeense faz parte do “Programa Viva Tefé” realizado pela secretaria de cultura com objetivo de fomentar e apoiar projetos socioculturais e esportivos que visem o desenvolvimento da sociedade tefeense. De acordo com o secretário de comunicação da cidade, Orange Cavalcante, que apresentará o documentário “Representações audiovisuais amazônicas: Um olhar desde o Médio Rio Solimões” em Paris, a produção mostrará depoimentos dos participantes do projeto ao longo do desenvolvimento, entre eles adolescentes, jovens, e principalmente idosos.

“Os idosos me encantaram de certa forma que fiquei surpreso com a atuação deles em frente e atrás das câmeras, porque eles não só atuaram nos filmes, eles também filmaram. Na verdade, eles participaram de todo o processo de construção dos filmes, seja de forma direta ou indireta, sempre estavam lá na pré, produção e finalização de todo o material”, afirma Orange, secretário de comunicação.

A exibição faz parte do eixo temático ciclo amazônica, e acontecerá durante o “Concerts Gastronomie Conférences Litérature Ateliers Projections”, na França, no dia 8 de março de 2020, às 19h. Esta é a segunda vez que Orange representa a cidade de Tefé, na França. Em 2019, esteve em Paris levando um pedaço da Amazônia por meio da magia e encanto da sétima arte protagonizada por atores e atrizes ribeirinhos.

Curtas em destaque no cinema tefeense

O primeiro foi “O Segredo”, um curta-metragem que gira em torno de uma trama envolvendo mistérios e muita emoção. A produção se destaca por ser uma produção totalmente independente. Segundo os produtores do curta o filme se insere no cenário de Tefé com a proposta de “fazer muito com pouco”. Todo o projeto foi rodado com o auxílio de apenas um aparelho celular, editado e produzido pelos próprios jovens.

Outra produção que também fez parte do evento foi o documentário “Arte e Pesca”. Alunos de uma escola rural do município tefeense com um celular na mão abusaram da criatividade ao filmarem e atuarem no curta, que tem a duração de 17 minutos. O documentário foi dirigido pelo professor Franklin Pantoja e teve o apoio do projeto Ciência Cidadão para a Amazônia, prefeitura de Tefé e Instituto Mamirauá.

Créditos: Augusto Gomes – Portal Castanha News