# José Márcio Ayres

- **Cargo:** Primatólogo, idealizador do Instituto Mamirauá
- **Mandato:** 1983–2003
- **Área:** Ciência e natureza
- **Naturalidade:** Belém, PA

A instituição científica mais importante que existe hoje em Tefé nasceu de um macaco. Em 1983, o primatólogo José Márcio Corrêa Ayres chegou à região para estudar, pela primeira vez, a ecologia e o comportamento do uacari — e encontrou nas várzeas de Mamirauá o uacari-branco, espécie que se acreditava extinta desde o século XIX.

Nascido em Belém em 21 de fevereiro de 1954, estudou biologia na Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, fez mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, e doutorou-se em Cambridge, em 1986, com a tese "Uakaris and Amazonian flooded forest" — o trabalho de campo foi feito na planície de inundação do alto Solimões, perto de Tefé. Trabalhou no Museu Goeldi, no Inpa, no Ibama e na Wildlife Conservation Society, e publicou mais de cem trabalhos sobre ecologia e conservação.

A conclusão a que chegou estudando os uacaris mudou o rumo da conservação na Amazônia: os macacos não teriam chance de sobreviver sem novos modelos de manejo dos recursos naturais feitos com as populações que vivem na floresta. Dessa ideia saiu a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, criada em 1996 — a primeira RDS do Brasil, categoria de proteção que permite que as comunidades continuem morando e usando os recursos da área —, seguida da RDS Amanã, em 1998. Juntas, e ligadas ao Parque Nacional do Jaú, formam um corredor de mais de 50 mil km² de floresta protegida. Em 1999 foi criado, com sede em Tefé, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, hoje unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e uma das principais instituições da cidade.

Recebeu o Prêmio Rolex na categoria Meio Ambiente em 2002 e faleceu em 7 de março de 2003, em Nova York, vítima de câncer. Tefé o homenageou de duas formas: a Escola de Educação Profissional José Márcio Ayres, do Cetam, leva o seu nome, e em 16 de dezembro de 2014 a Câmara Municipal lhe concedeu, postumamente, a Medalha de Honra ao Mérito Legislativo Monsenhor Barrat, em cerimônia realizada no prédio da escola que o homenageia.

## Formação

- Biologia — Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto
- Mestrado — Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Manaus
- Doutorado em primatologia — Sidney Sussex College, Universidade de Cambridge (1986)

## Experiência

- Museu Paraense Emílio Goeldi
- Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
- Wildlife Conservation Society

## Realizações

- **Redescoberta do uacari-branco** — Chegou à região de Tefé em 1983 para estudar a ecologia e o comportamento do uacari e encontrou em Mamirauá o uacari-branco, tido como extinto desde o século XIX. Em 1985 identificou ainda uma nova espécie de macaco.
- **Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá** — Idealizou e conseguiu a criação da primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Brasil, categoria que permite às comunidades continuar morando e usando os recursos naturais da área protegida.
- **Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã** — Conseguiu a criação da segunda reserva, que ligada a Mamirauá e ao Parque Nacional do Jaú forma um corredor de mais de 50 mil km² de floresta protegida.
- **Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá** — Suas pesquisas deram origem ao instituto, criado em abril de 1999 com sede em Tefé, hoje unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
- **Medalha de Honra ao Mérito Legislativo Monsenhor Barrat** — Em 16 de dezembro de 2014 a Câmara Municipal de Tefé lhe concedeu a homenagem póstuma, recebida por Dolly Sá, ouvidora do Instituto Mamirauá, em representação à família.

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Fonte oficial: https://tefe.am.gov.br/museu/hall-da-fama/jose-marcio-ayres · Atualizado em 18 de agosto de 2026
