# Manoel Armando da Silva Retto

- **Cargo:** Prefeito Municipal
- **Mandato:** 1968–1971 e 1977–1982
- **Área:** Expansão urbana e Nova República (1960–1996)
- **Naturalidade:** Tefé, AM

Manoel Armando da Silva Retto foi prefeito de Tefé em dois mandatos — de janeiro de 1968 a 1971 e de 1977 a 1982 — e é o administrador a quem o município deve a sua forma urbana atual. O livro de Protásio Lopes Pessoa o define como "um dos mais empreendedores dos prefeitos".

Era filho de Tefé, segundo de sete irmãos, filho de dona Neomesia Cardoso Retto e do comerciante português Manoel Augusto da Silva Retto. Educou-se no Seminário e foi funcionário público municipal antes de entrar na política. Teve como padrinho de batismo o ex-prefeito Ormando Sobreira de Sampaio, promotor de Justiça da comarca. Elegeu-se vereador várias vezes — em 1960 e em 1963 — e presidiu a Câmara Municipal no biênio 1962–1963. Em fins de 1967 venceu a eleição para prefeito contra Isaac de Oliveira Sabbá e foi empossado em janeiro de 1968. Voltou a ser eleito na eleição de 3 de novembro de 1976, tendo como vice Malaquias de Queiroz; empossado em 10 de janeiro de 1977, não pôde assumir de imediato porque estava impedido por irregularidades apontadas na administração anterior, e o cargo ficou com o vice até novembro daquele ano, quando assumiu em definitivo.

O primeiro mandato coincidiu com três enchentes sucessivas — 1969, 1970 e 1971 — e com o esvaziamento econômico do extrativismo, que empurraram para a cidade a população das várzeas. A resposta foi criar bairros: logo no início, pela Lei nº 471, de 22 de abril de 1968, concedeu título definitivo a todos os posseiros das áreas urbana e rural que houvessem construído ou beneficiado a posse; em seguida passou a conceder terrenos titulados e material de construção a quem viesse do interior. Nasceram assim Monte Castelo e Santo Antônio (1969), Juruá I e II (1969–1970, o segundo depois rebatizado São Francisco), Olaria e Santa Rosa (1970), além da urbanização da Campina e da Praça Isidoro Praia. O Centro Urbano, que terminava na rua Monteiro de Souza, passou a ir até a rua Marechal Deodoro, aberta em 1969. No segundo mandato vieram Santa Luzia, a urbanização do Abial e, entre 1980 e 1982, o bairro de Jerusalém, cujas ruas receberam nomes de cidades da Judeia — Jericó, Emaús, Cafarnaum.

Foi também o prefeito que deu símbolos ao município: promoveu o concurso vencido pelo tabelião José Martins Ferreira e instituiu a Bandeira de Tefé pelo Decreto nº 14/72, de 13 de junho de 1972; e, seis anos depois, oficializou o Escudo, desenhado pela funcionária Elzian Gomes Pessoa, pelo Decreto nº 47/78, de 24 de maio de 1978, com a castanheira ao centro e a inscrição "Bertholetia Excelsa". Em 9 de agosto de 1969 assinou, na Câmara Municipal, o convênio que trouxe a Universidade Federal de Juiz de Fora para o Campus Avançado de Tefé, dentro do Projeto Rondon. Construiu o Mercado Municipal atual sobre o antigo, ergueu o muro de arrimo e as rampas do porto, reformou o cemitério e o rebatizou de Catedral da Saudade pela Lei nº 630, de 23 de novembro de 1979, criou a Festa da Castanha, o Museu de Cultura e Arte César Ituassu e a Escola Teatral do Município, e abriu as estradas Nogueira–Alvarães e Tefé/Missão.

Faleceu em 2001, na cidade de Manaus. Está sepultado no Cemitério Catedral da Saudade, em Tefé, junto ao altar da capela que ele próprio mandou construir. Em 13 de abril de 2024 a Prefeitura de Tefé inaugurou, com a presença de familiares, o Centro de Convivência do Idoso Manuel Armando da Silva Retto.

## Formação

- Estudos no Seminário, em Tefé

## Experiência

- Funcionário público municipal
- Vereador de Tefé, eleito em janeiro de 1960
- Presidente da Câmara Municipal de Tefé (1962–1963)
- Prefeito Municipal de Tefé, empossado em janeiro de 1968 (1968–1971)
- Prefeito Municipal de Tefé, eleito em 3 de novembro de 1976 e no exercício pleno a partir de novembro de 1977 (1977–1982)

## Realizações

- **Título definitivo de terras a todos os posseiros** — Logo no início do primeiro mandato, pela Lei nº 471, de 22 de abril de 1968, concedeu título definitivo a todos os posseiros da área urbana e rural que houvessem construído casa ou beneficiado a posse.
- **Criação dos bairros de Monte Castelo, Santo Antônio, Juruá I e II, Olaria e Santa Rosa** — Diante das três enchentes sucessivas de 1969, 1970 e 1971 e da desvalorização dos produtos do extrativismo, estimulou a vinda da população do interior para a cidade concedendo terrenos titulados e material de construção. Monte Castelo — nome tirado do campo de batalha da FEB na Itália — e Santo Antônio surgiram em 1969; Juruá I e II entre 1969 e 1970, povoados por migrantes do rio Juruá e do Solimões; Olaria e Santa Rosa em 1970. O Juruá II mais tarde passou a chamar-se bairro de São Francisco.
- **Abertura da rua Marechal Deodoro e ampliação do Centro Urbano** — Abriu a rua Marechal Deodoro e urbanizou toda a Campina, loteada em três quarteirões a partir de 1969. Também urbanizou a Praça Remanso do Boto.
- **Convênio com a Universidade Federal de Juiz de Fora e o Campus Avançado de Tefé** — Em reunião na Câmara Municipal de Tefé em 9 de agosto de 1969, assinou o convênio entre o Ministério do Interior (Projeto Rondon), a Universidade Federal de Juiz de Fora, a Prefeitura Municipal de Tefé, o Fundo de Assistência do Trabalhador Rural e o Governo do Estado do Amazonas. A primeira equipe de professores e dezoito universitários chegara em junho daquele ano.
- **Instituição da Bandeira do Município de Tefé** — Promoveu um concurso público para a criação da bandeira, vencido pelo tabelião da comarca José Martins Ferreira, e a tornou oficial pelo Decreto nº 14/72, de 13 de junho de 1972: três faixas horizontais — verde, branca e amarela — e, ao centro, um triângulo equilátero com o Cruzeiro do Sul, cujas estrelas representavam a sede e as vilas do município.
- **Instituição do Escudo do Município de Tefé** — Promoveu um concurso interno na Prefeitura, com a exigência de que o escudo trouxesse a castanheira e a data de elevação de Tefé à categoria de cidade. Venceu o trabalho da funcionária Elzian Gomes Pessoa, oficializado pelo Decreto nº 47/78, de 24 de maio de 1978: figura oblonga com a castanheira ao centro, a tarja amarela com a inscrição "Bertholetia Excelsa" simbolizando o rio Solimões, o triângulo azul com o Cruzeiro do Sul e a data "15 de junho de 1855 — Tefé".
- **Novo Mercado Municipal** — Com base no crescimento populacional de 1979 e com recursos próprios do município, construiu sobre a área do mercado de 1926 um prédio de dois pisos, com 106 lojas, destinado a vendedores de carne, pescado e produtos hortigranjeiros, e um espaço superior previsto para o Teatro Municipal.
- **Bairros de Santa Luzia, Abial e Jerusalém** — No segundo mandato indenizou os proprietários das áreas, loteou e abriu ruas. Santa Luzia, cujo terreno particular foi indenizado por CR$ 160.000, foi inaugurado no dia da santa; o Abial teve as ruas abertas e ganhou campo de futebol, posto policial e escola; Jerusalém foi construído entre 1980 e 1982, com sete ruas iniciais batizadas com nomes de cidades da Judeia — Jericó, Emaús, Cafarnaum.
- **Cemitério Catedral da Saudade** — Em fins de 1979 fez uma reforma completa do antigo Cemitério São José: reformou o muro, construiu uma capela na entrada e, em 1980, ampliou a área. Pela Lei nº 630, de 23 de novembro de 1979, deu-lhe o nome de Cemitério da Catedral da Saudade.
- **Muro de arrimo, aterro e rampas do porto do Mercado** — No porto do Mercado Municipal havia apenas duas escadas de madeira. Reconstruiu o muro de arrimo, que já havia ruído em grande extensão; aterrou, nivelou e pavimentou o fosso em frente ao mercado, onde proliferavam ratos, cobras e insetos; e substituiu as escadas por rampas.
- **Estrada Nogueira–Alvarães** — Planejou e iniciou em 1970 a estrada ligando Nogueira a Alvarães, com pouco mais de 12 km, sob levantamento topográfico de Astrogildo Gomes de Almeida. Ao fim do mandato, a pista estava limpa e terraplenada, faltando pontes e asfalto. Já no segundo mandato, em 1982, construiu a estrada Tefé/Missão.
- **46 escolas rurais e a Escola Maria Mercês** — Fundou escolas nas comunidades que tivessem condições e restaurou as que estavam em mau estado, construindo novas em Caiambé, Glória, Ice, São Francisco do Ice e Jutica — ao todo 46 escolas. Assumiu o pagamento dos salários, os cursos de reciclagem e a merenda das escolas antes mantidas pelo Movimento de Educação de Base. Em 1972 construiu a Escola Maria Mercês, na rua Rui Barbosa, em Monte Castelo, ampliada depois com mais duas salas de aula.
- **Postos médicos nas comunidades** — Construiu postos de saúde de madeira em Alvarães, Uarinim, Nogueira, Missão, Piraruaia e Porto Nazaré, equipados com medicamentos de socorro imediato e com um agente de saúde treinado, que recebia cursos periódicos de reciclagem.
- **Festa da Castanha, Museu César Ituassu e Escola Teatral** — Criou a Festa da Castanha pelo Decreto nº 13/78, de 15 de março de 1978, festa cívico-cultural com concursos de dança, poesia, redação, comidas típicas e artesanato de castanha. Pela Lei nº 596, de 28 de junho de 1978, criou o Museu de Cultura e Arte César Ituassu, e pela Lei nº 637, de 7 de janeiro de 1980, a Escola Teatral do Município. Em 1969 já havia restaurado a Biblioteca Municipal, enriquecendo-a com centenas de livros.
- **Homenagem aos ex-prefeitos nos salões do Paço Municipal** — Pela Lei nº 662, de 8 de setembro de 1980, denominou os três salões do Palácio Municipal em homenagem a ex-prefeitos: o salão da esquerda "Abylio Nery", o do centro "Cleto Marques Praia" e o da direita "César Ituassu".

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Fonte oficial: https://tefe.am.gov.br/museu/prefeitos/manoel-armando-da-silva-retto · Atualizado em 18 de agosto de 2026
