
Poeta e inspetor de escolas
Cultura e identidadeAntônio Gonçalves Dias, o maior poeta do romantismo brasileiro, autor da "Canção do Exílio", esteve em Tefé em princípios de 1861. Não veio como poeta: veio como inspetor de escolas públicas, em visita de inspeção às freguesias do Solimões.
Encontrou lecionando o padre Luiz Gonçalves de Souza, que dirigia a própria escola de meninos, com matrícula de mais de trinta alunos e dezoito presentes na sala naquele dia. Visitou também a escola do Juiz Municipal, com oito alunos. Registrou o que se ensinava na escola do padre Luiz: português, aritmética, religião, canto e língua geral — o nheengatu, que era o idioma corrente da população.
Achou a frequência boa, com uma ressalva que diz muito sobre a economia da época: caía de agosto a dezembro, quando os filhos dos índios e dos nobres iam para as praias ajudar a fazer manteiga de ovos de tartaruga. O relatório de Gonçalves Dias é um dos poucos documentos oficiais que descrevem em detalhe a escola pública de Tefé em meados do século XIX. Nasceu em 10 de agosto de 1823 e faleceu em 3 de novembro de 1864, num naufrágio, três anos depois da visita.
Como inspetor de escolas, visitou a escola de meninos do padre Luiz Gonçalves de Souza e a escola do Juiz Municipal, registrando matrícula, frequência e conteúdo ensinado.
Deixou o registro oficial mais detalhado que se tem do ensino público em Tefé no século XIX, incluindo o ensino da língua geral.