
Jesuíta, cartógrafo e fundador da primeira missão
Fundadores e missionáriosPadre Samuel Fritz foi o missionário jesuíta que, a serviço da Espanha, fundou em 1688 a Missão de Santa Teresa d'Ávila dos Axiuaris, na barra do rio Tefé, no lugar que os índios chamavam de Tambaqui-Paratu — o primeiro assentamento missionário do qual descende a cidade de Tefé. O livro de Protásio Lopes Pessoa o define sem rodeios: "Sem dúvida, é um dos fundadores desta cidade."
Ordenado sacerdote jesuíta, veio para o vice-reinado do Peru e foi designado em Quito para missionar no rio Marañon. Descendo o rio, fundou uma sequência de missões entre os povos Omáguas, Yurimaguas, Ticunas, Uainumas, Jurupixunas e Júris — entre elas Santa Teresa dos Axiuaris, em 1688, e a missão que deu origem a Coari. Sua dedicação à evangelização dos indígenas lhe valeu o cognome de "Apóstolo do Amazonas". O livro o descreve como "um homem alto, de cor vermelha", de longas barbas sobre o peito, sotaina gasta pelo uso e alpercatas de couro.
Doente de malária, desceu até Belém em busca de tratamento e ali chegou em 11 de setembro de 1689. Suspeito de espionagem, foi preso no próprio convento em que se hospedava por ordem do governador do Pará, Sá de Meneses, e ali permaneceu até maio de 1690, aproveitando o tempo para escrever relatórios e desenhar um mapa da Amazônia. Libertado, retornou às missões de Mainas. Em 1705, informado de que o rei D. João V mandara prendê-lo, retirou-se para Quito, deixando em seu lugar o padre João Batista Sanna, e foi nomeado Superior Geral de todas as Missões de Mainas.
A missão que ele fundou foi destruída em 1709 na represália comandada por Sanna, mas foi sobre a sua tapera, em Tambaqui-Paratu, que frei André da Costa reuniu os sobreviventes em 1712 — antes de transferi-los, em 1718, para o sítio onde hoje está Tefé. Uma rua do centro da cidade levou o seu nome até 1940, quando passou a chamar-se Daniel Sevalho Júnior.
Fundou a missão na barra do rio Tefé, no lugar Tambaqui-Paratu, atual Vila Valente, reunindo Uainumas, Jurupixunas e Júris.
É o primeiro núcleo organizado de povoamento na costa de Tefé e a origem remota da cidade.
Fundou, entre outras, Santo Inácio dos Pebas, Loreto, Nossa Senhora de Guadalupe dos Omáguas, São Pedro dos Ticunas, São Paulo dos Cambebas e a missão dos Yorimans.
Várias dessas missões deram origem a cidades do Solimões, como São Paulo de Olivença, Fonte Boa e Coari.
Durante a prisão em Belém, produziu relatórios e um mapa da bacia amazônica que defendia o domínio espanhol sobre a região.
Documento de referência na disputa cartográfica entre Portugal e Espanha pela Amazônia.