
Interventor e Prefeito Municipal
Cleto Marques Praia, filho de Tefé e conhecido pela patente de capitão, governou o município em duas passagens distantes entre si: primeiro como Interventor Municipal, de setembro de 1938 a 1º de outubro de 1943, durante o Estado Novo, e depois como prefeito eleito, empossado em 14 de janeiro de 1953 e no cargo até 9 de setembro de 1955.
Segundo o livro de Protásio Lopes Pessoa, ele era "filho de Tefé, de uma família tradicional muito numerosa" e já havia exercido o cargo de vereador. Como já estava nomeado prefeito municipal, foi mantido no comando do município pelo Interventor do Estado do Amazonas, Álvaro Botelho Maia, agora com o título de Interventor Municipal — a Câmara de Vereadores tivera as atividades suspensas em setembro de 1938 por determinação do próprio interventor estadual. Foi afastado por ato de Álvaro Maia em 1º de outubro de 1943.
A primeira gestão coincidiu com a Segunda Guerra Mundial e o segundo ciclo da borracha, e concentrou as obras que mudaram a feição do centro de Tefé: a inauguração do Paço Municipal em maio de 1940, o Fórum da Comarca na rua Padre Fritz, o trecho do muro de arrimo no porto, o Posto do SESP e o Posto de Puericultura, a ampliação da rede elétrica e o lançamento da pedra fundamental da Escola Eduardo Ribeiro, em junho de 1942, com a presença do governador Álvaro Maia. Uma de suas últimas medidas como interventor foi trocar os nomes das ruas e praças do Centro, substituindo denominações antigas por nomes republicanos — a rua do Seminário virou Duque de Caxias, a Bernardo Batalha virou Olavo Bilac, a Samuel Fritz virou Daniel Sevalho Júnior, e a praça da Cabanagem passou a praça Isidoro Praia.
No segundo período, já como prefeito eleito, sancionou a Lei nº 102, de 28 de setembro de 1953, que tornou 15 de outubro — dia da padroeira Santa Teresa e data de fundação da missão — feriado municipal, e pela Lei nº 155, de 17 de maio de 1955, cedeu à União um lote de terras na Estrada Tefé/Curupira para a instalação da sub-estação do Instituto Agronômico do Norte, voltada ao cultivo de guaraná, seringueira, mandioca e árvores frutíferas.
Era cunhado do ex-prefeito Ormando Sobreira de Sampaio. Seu nome batiza o salão central do Paço Municipal, denominado "Cleto Marques Praia" pela Lei nº 662, de 8 de setembro de 1980, e também uma escola da cidade rebatizada de Cleto Praia na gestão de Manoel Armando da Silva Retto.
O prédio vinha sendo construído desde 1928 e ficou pronto no final de 1939, com três dependências previstas para o Judiciário, o Executivo e o Legislativo. Foi inaugurado em maio de 1940, com a presença do representante do interventor do Estado, vereadores e autoridades civis, militares e religiosas.
A partir daí os prefeitos de Tefé passaram a administrar o município nesse prédio, hoje conhecido como Palácio Bertholetia Excelsa.
Construído na rua Padre Fritz, no final do mandato de interventor, porque o Poder Judiciário ocupava uma área considerada pequena demais dentro da Prefeitura Municipal.
Deu sede própria à Justiça em Tefé; no prédio passaram a funcionar duas varas cíveis e os cartórios do 1º e do 2º Ofício.
Mandou construir um trecho do muro de arrimo no porto porque a erosão avançava sobre a rua do Seminário.
Conteve o avanço da erosão sobre a frente da cidade, no trecho mais movimentado do porto.
A pedra fundamental foi lançada em junho de 1942, durante a visita do governador Álvaro Botelho Maia, que veio verificar os trabalhos do interventor. A escola foi inaugurada em 12 de fevereiro de 1944, na praça Isidoro Praia, e foi a primeira escola oficial mista do Estado no município.
Tirou o grupo escolar do prédio da antiga Intendência, onde funcionava desde 1936, e deu ao ensino público estadual um prédio próprio em Tefé.
Construção do Posto do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP) e do Posto de Puericultura, base do combate à malária na cidade.
Passaram a ser feitos atendimento médico, exames de sangue, distribuição de medicamentos e campanhas contra o mosquito anofelino nas casas, charcos e esgotos da cidade.
Uma das últimas medidas do mandato de interventor. Oito ruas e travessas do Centro trocaram de nome — do Seminário para Duque de Caxias, Bernardo Batalha para Olavo Bilac, Santa Teresa para Quintino Bocaiúva, Samuel Fritz para Daniel Sevalho Júnior, Travessa da Campina para Monteiro de Souza, Dr. Galdino para Floriano Peixoto, Rui Barbosa para Benjamim Constant e Travessa dos Júris para Getúlio Vargas. A praça da Cabanagem passou a praça Isidoro Praia.
Fixou a nomenclatura republicana do Centro Urbano de Tefé, em vigor até hoje na maior parte das ruas.
Ampliou a rede elétrica da cidade e trocou os geradores de luz.
Aumentou o horário de fornecimento de energia à população.
Com o prédio da Intendência Municipal desativado, na rua do Seminário, mandou transformá-lo em escola pública.
Reaproveitou um prédio público ocioso para ampliar a oferta de ensino na cidade.
Pela Lei nº 102, de 28 de setembro de 1953, tornou feriado municipal o dia 15 de outubro, dia da padroeira Santa Teresa — a mesma data da fundação da missão, em 1718.
Garantiu que toda a população pudesse participar dos festejos da padroeira e do aniversário da cidade.
Pela Lei nº 155, de 17 de maio de 1955, concedeu à União Federal, para uso do Ministério da Agricultura, um lote de terras do município na Estrada Tefé/Curupira, destinado à ampliação dos serviços experimentais do Instituto Agronômico do Norte, com o objetivo de incentivar o cultivo de guaraná, seringueira, mandioca e árvores frutíferas.
A área virou campo experimental de seringa e guaraná e permaneceu sob o Instituto Agronômico até 1990; parte dela foi depois permutada com a EMBRAPA.
A pedido de Monsenhor Barrat, retirou a estátua do Sagrado Coração de Jesus do jardim João Crisóstomo e a levou para a praça da Matriz de Santa Teresa.
A estátua permanece na praça Santa Teresa desde então.
O livro relaciona o cemitério São José entre as obras do capitão Cleto Marques Praia, ao lado do muro de arrimo, do primeiro grupo escolar e da limpeza da cidade.
Recuperou o cemitério público do município.