
Juiz
Felipe Coelho foi eleito juiz da Vila de Ega na eleição de 1777, convocada pelo Ouvidor Geral Xavier Ribeiro de Sampaio em sua segunda visita à vila. Sob o Diretório dos Índios, os juízes eram eleitos em dupla, ao lado de um Principal indígena, conselheiros e um procurador, para mandato de dois anos: com ele foram eleitos o juiz alferes Damaso Pereira, o Principal Romé de Moraes, os conselheiros Assenso Rodrigues Chaves e José Gomes Rodolpho e o procurador Jacinto Pinto. O livro também o menciona como Diretor da vila, inclusive na forma "Felipe Coelho de Nogueira".
Aos dois juízes o Ouvidor entregou um programa de trabalho detalhado: construir a delegacia de polícia, a residência do Diretor, o armazém de impostos e a cadeia pública; consertar a igreja; aterrar, nivelar e limpar todas as ruas e quintais; colocar portas e janelas nas casas dos índios; e erguer uma olaria para produzir tijolos e telhas de canal. Proibiu a produção da aguardente de benjoim e determinou o abastecimento de sal às aldeias do município. As obras foram iniciadas prontamente, com trabalho compulsório dos índios; a olaria foi construída junto ao igarapé Xidariním e a igreja foi reconstruída. Ainda em 1777, na sua administração, foi incentivado o plantio de espécies frutíferas introduzidas — jambo, tamarindo, figo, laranja, lima, limão, carambola, cidra, abacate, coco-da-baía e manga — nos quintais da vila.
Foi também na sua gestão que Ega serviu de sede à Quarta Comissão Demarcadora de Limites entre Portugal e Espanha. Como a vila não tinha víveres nem casas para abrigar mais de cem homens, entre topógrafos, geógrafos, astrônomos, cientistas, remeiros e desmatadores, mandou construir vários depósitos e mais de dez casas de residência, e hospedou a comissão no regresso dos trabalhos do Japurá, interrompidos por uma epidemia de malária.
Iniciou a construção da delegacia, da residência do Diretor, do armazém de impostos, da cadeia pública e da olaria de tijolos e telhas junto ao igarapé Xidariním, além do aterro e da limpeza das ruas e da reconstrução da igreja.
Recuperou a vila do abandono descrito pelo Ouvidor em 1774 e deu a Ega seus primeiros prédios públicos.
Mandou construir depósitos e mais de dez casas para abrigar os mais de cem integrantes da comissão luso-espanhola de demarcação de fronteiras, e hospedou os comissários no regresso dos trabalhos do rio Japurá.
Ega tornou-se a sede dos trabalhos de demarcação da fronteira do Brasil com o Peru na região do Solimões.