
Prefeito Municipal
PTBFrancisco Hélio Bezerra Bessa foi prefeito de Tefé três vezes — 1983–1988, 1997–2000 e 2000–2004 — e é o administrador com mais tempo à frente do Executivo na história recente do município. Nasceu em 10 de setembro de 1949, em Alto Santo, no Ceará, e concorreu às eleições municipais pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Entrou na política pela Câmara: eleito vereador na eleição de 3 de novembro de 1976, presidiu a Casa no biênio 1981–1982 e renunciou à presidência para se candidatar a prefeito no quatriênio de 1983 a 1988. Venceu a eleição organizada pelo juiz eleitoral Danilo Gonçalves de Souza, disputada também por Wenceslau de Queiroz, José Antonio Inácio e Celso da Silveira, e foi empossado em janeiro de 1983, tendo como vice o professor Raimundo Gomes Mendonça. Voltou ao cargo em 1º de janeiro de 1997, eleito com 9.062 votos, e novamente após a eleição de 2000, com 5.611 votos, desta vez com Vivaldo Cabral de Vasconcelos como vice.
O primeiro mandato foi o da educação: criou a Secretaria Municipal de Educação e Cultura e instalou uma escola em cada localidade do interior — cerca de 140 escolas rurais. Construiu as escolas Alcyjara de Queiroz, no Abial, Eduardo Sá, em Jerusalém, Professor Gilberto Mestrinho e a Escola Agrotécnica Armando Mendes, ambas na Estrada dos Expedicionários, e iniciou a Escola Wenceslau de Queiroz e o bairro de Fonte Boa. Recuperou as quatro praças do Centro, demoliu por insegurança o piso superior do Mercado Municipal, oficializou o Hino de Tefé pela Lei nº 28/83, de 16 de dezembro de 1983, deu nome à Estrada dos Expedicionários pela Lei nº 52, de 26 de setembro de 1984, e aprovou o Código de Postura e o Código Tributário do município. No segundo mandato abriu a estrada Tefé/Emade, com 6 km, e implantou o Projeto Mapi na área permutada com a EMBRAPA; construiu os bairros de São João e São Raimundo, concluiu o Mutirão iniciado por Etelvino Celani, doou o terreno do prédio da APAE pela Lei nº 25/98 e reorganizou toda a estrutura de secretarias da Prefeitura pela Lei nº 317, de 6 de junho de 1997.
O terceiro mandato foi o mais conturbado. A posse, em janeiro, foi seguida de uma manifestação de opositores que depredaram a Câmara e a Prefeitura e atearam fogo ao prédio, sob acusação de irregularidades na votação e na apuração. Ao longo do mandato foi acusado pela Câmara de desvio de dinheiro público; oito vereadores formaram o grupo de oposição conhecido como G-8, houve uma tentativa de intervenção estadual que durou um só dia, em 14 de agosto de 2001, e uma Comissão Parlamentar Processante cujos trabalhos foram sustados por liminar do Tribunal de Justiça do Amazonas. Em 15 de julho de 2003 a Câmara Municipal reuniu-se e cassou o mandato do prefeito por 13 votos a 2, dando posse na mesma sessão ao vice-prefeito Vivaldo Cabral de Vasconcelos. Em 17 de julho de 2003, por decisão judicial, Francisco Hélio Bezerra Bessa foi reconduzido ao cargo: o Tribunal de Justiça do Amazonas, ao deferir liminar no Mandado de Segurança 2003.001652-0, entendeu que o ato de cassação afrontara o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório — a sessão fora convocada durante o recesso, contra o artigo 73 da Lei Orgânica do Município, e o prefeito e seu advogado não haviam sido convocados pessoalmente. A Câmara recorreu ao Supremo Tribunal Federal, e em 24 de março de 2004 o Plenário do STF negou provimento, por unanimidade, ao agravo regimental na Suspensão de Segurança nº 2255, mantendo a liminar e o prefeito no cargo até o fim do mandato.
Mesmo sob disputa, o terceiro mandato entregou obras que permanecem: o hospital construído entre os bairros de Fonte Boa e São João, com recursos do Estado; a Delegacia da Mulher, na Estrada dos Expedicionários; a restauração da Praça da Matriz de Santa Teresa, em 2003; a recuperação do Centro de Saúde; o trecho inicial de duzentos metros da Muralha, avenida projetada em torno da orla a partir da Barreirinha e hoje ponto de lazer da população; e o terreno da rua Brasília, no bairro de Juruá, entregue ao reitor para a construção do Centro de Estudos Superiores da Universidade do Estado do Amazonas. Em 10 de setembro de 2021 o Governo do Amazonas inaugurou em Tefé o Centro de Educação de Tempo Integral (CETI) Francisco Hélio Bezerra Bessa, no bairro de Monte Castelo.
Criou a Secretaria Municipal de Educação e Cultura e instalou uma escola em cada localidade do interior do município — eram cerca de 140 escolas rurais.
Estruturou pela primeira vez uma rede municipal de ensino em Tefé e levou escola às comunidades ribeirinhas.
Construiu com recursos do município a Escola Alcyjara de Queiroz, no bairro do Abial, denominada pela Lei Municipal nº 48/84, de 12 de setembro de 1984, em homenagem à educadora esposa de Wenceslau de Queiroz; a Escola Eduardo Sá, no bairro de Jerusalém, inaugurada em 2 de março de 1985; e, em 1984, com apoio do governador Gilberto Mestrinho, a Escola Professor Gilberto Mestrinho, na Estrada dos Expedicionários.
Levou escola aos bairros novos — Abial, Jerusalém, Fonte Boa — que até então dependiam do Centro.
Com o apoio do governador Amazonino Mendes, construiu na Estrada dos Expedicionários uma escola agrícola, com dois aviários de corte e dois de postura, pocilga, aprisco e estábulo na área de zootecnia, e cinco casas de vegetação, três viveiros de plantas frutíferas e arbóreas, casa de farinha completa e implementos agrícolas na área agrícola.
Deu a Tefé ensino técnico agrícola com estrutura de produção própria.
Sancionou a Lei nº 28/83, de 16 de dezembro de 1983, oriunda de projeto do vereador Júlio César Pereira Batalha, que oficializou como hino do município o poema e a música do padre Manuel de Lima Cauper.
Completou o conjunto de símbolos oficiais de Tefé, ao lado da bandeira e do escudo.
Enviou à Câmara e teve aprovadas duas leis estruturantes: o Código de Postura, que disciplina a construção de ruas, jardins, praças e prédios, e o Código Tributário do município, Lei nº 78, de 3 de março de 1987.
Deu a Tefé a lei da ordem urbana e a base legal da arrecadação municipal.
Pela Lei nº 52, de 26 de setembro de 1984, deu à estrada que liga a cidade ao aeroporto o nome de Estrada dos Expedicionários. Ao assumir, recuperou as quatro praças do Centro e, pela Lei nº 207/88, de 17 de novembro de 1988, mudou o nome da praça Getúlio Vargas para praça Túlio Azevedo.
Fixou a nomenclatura do principal eixo viário e do principal centro de lazer da cidade.
Com a EMADE — Empresa Amazonense de Dendê — desativada, fez permuta com a EMBRAPA pela Lei nº 41/84, de 25 de maio de 1984: 1.200 hectares da EMADE passaram ao município e 194,2 hectares na área urbana à EMBRAPA.
As terras recuperadas foram loteadas e doadas a agricultores no segundo mandato, sob o Projeto Mapi.
Aproveitando trechos da estrada Tefé/Missão, aberta por Manoel Armando da Silva Retto, abriu a Estrada Tefé/Emade, com 6 km de extensão. Nos 1.200 hectares recuperados pela permuta de 1984, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente implantou o Projeto Mapi, com distribuição de terrenos para agricultura e criação de gado.
Abriu à produção agrícola e pecuária uma área de mais de mil hectares a poucos quilômetros da cidade.
Iniciou em 1998 e concluiu em 2001 o bairro de São João, um dos mais distantes da cidade; concluiu o bairro do Mutirão, iniciado pelo prefeito Etelvino Celani, com três ruas, água própria e casas em sua maioria de alvenaria, distribuídas a pessoas de baixa renda; e construiu o bairro de São Raimundo, ao lado do Mutirão.
Ampliou a malha urbana de Tefé para o sul e deu casa de alvenaria a famílias de baixa renda no Mutirão.
Enviou à Câmara o projeto que virou a Lei nº 25/98, de 25 de março de 1998, doando um lote de 5.400 m² no bairro de São João para a construção da sede da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais.
Deu sede própria à APAE de Tefé, ao lado do hospital construído na mesma área.
Pela Lei nº 317, de 6 de junho de 1997, reorganizou o quadro de pessoal da Prefeitura, mantendo e criando secretarias: Governo, Administração, Educação, Cultura, Aviação e Obras, Meio Ambiente, Produção, Desporto e Lazer, Finanças, Comunicação e Ação Social, além do Gabinete do Prefeito.
Definiu a estrutura de secretarias com que a Prefeitura de Tefé passou a operar.
Construiu, com recursos do Estado repassados pelo governador Amazonino Mendes, um hospital amplo situado entre os bairros de Fonte Boa e São João, junto ao prédio da APAE. A previsão era que o Hospital São Miguel fosse então adaptado para servir de pronto-socorro.
Deu a Tefé uma segunda unidade hospitalar, fora do Centro e perto dos bairros novos.
Construiu na Estrada dos Expedicionários o prédio da Delegacia da Mulher, destinado ao atendimento das questões surgidas entre o homem e a mulher.
Criou em Tefé um equipamento próprio de atendimento à mulher vítima de violência.
Iniciou pela Barreirinha a construção de uma avenida em torno da área fluvial da cidade, com muro de pedra e fio de arame, da qual foi executado um trecho de duzentos metros — a Muralha. Em 2003 a Prefeitura reformou a Praça Santa Teresa, diminuindo-a e calçando-a de azulejos, e recuperou o Centro de Saúde, onde são prestados atendimentos de malária, pré-natal e urgência.
A Muralha tornou-se ponto de lazer da população; a Praça da Matriz e o Centro de Saúde seguem em uso.
Depois de várias tentativas de conseguir uma área adequada, entregou ao reitor da Universidade do Estado do Amazonas um terreno na rua Brasília, no bairro de Juruá, onde funcionara a EMBRATEL. O terreno ficou à disposição do Estado em 2004 e as obras dos quatro prédios começaram em fevereiro daquele ano.
Nesse terreno foi erguido o conjunto arquitetônico do Centro de Estudos Superiores de Tefé da UEA.